quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Entrevista aos fundadores do Movimento da Confluência Monárquica (MCM)

Boletim nº1 do MCM


Entrevista aos fundadores do Movimento da Confluência Monárquica (MCM) em Dezembro de 2009.
Entrevistador (E): Porque decidiram fundar este Movimento?

Fundador (F): Porque julgamos fazer falta em Portugal uma organização monárquica que se sustente em termos de apoio eminentemente popular, não caindo no usual pseudo-elitismo e pseudo- aristocratismo de que padecem alguns movimentos monárquicos já existentes.
Ao contrário de algumas dessas organizações que vivem no circuito fechado dos gabinetes e antecâmaras, olhando preferencialmente para o próprio umbigo, nós temos o propósito de criar um movimento basista e popular, independente de tutelas centralistas. De facto, muitos monárquicos não se revêem naquelas práticas que acabam por impedir a participação de muitos deles na construção do movimento monárquico, até por razões de ordem económica ou social.
Queremos, sobretudo, trazer para a rua o Ideal Monárquico.

E: Porque escolheram esta designação de Confluência Monárquica?

F: O nome inicialmente pensado seria o de” Convergência Monárquica”. Foi uma designação usada por um ilustre grupo de monárquicos nos anos setenta do século XX, que deu origem, com outros, em 1974 ao PPM. Para que não houvesse confusões utilizámos uma designação que transporta consigo também a mesma ideia de junção e união entre monárquicos naquilo que a todos é comum, independentemente de opções políticas diversas: a implementação de um regime monárquico em Portugal.

E: Que métodos se propõem utilizar para alcance dos vossos fins?

F: Gostaríamos de ter Delegações nos trezentos e oito Concelhos que existem em Portugal e Regiões Autónomas. Uma bandeira azul e branca hasteada e à vista, em datas predefinidas, em cada um desses concelhos será o mínimo que desejaríamos alcançar. Sabemos que é difícil a curto prazo tal desiderato mas queremos tornar visível e audível a ideologia monárquica que estamos certos estar presente na alma de muitos portugueses. Vamos sugerir, entre outras hipóteses a de comemorar datas caras ao imaginário nacional como por exemplo a data do reconhecimento da Independência de Portugal - o 5 de Outubro de 1143, o dia 14 de Agosto de 1385, dia da Batalha de Aljubarrota na qual Portugal derrota o exército castelhano sob o comando de Nuno Álvares Pereira. Se nos Concelhos onde estivermos implementados houver alguma cerimónia pública organizada nessas ou noutras datas, estará lançado por contágio, o enzima que fará levedar o Movimento Monárquico até às grandes concentrações e manifestações públicas que demonstrem o efectivo peso destes ideais no âmago do povo português.
Privilegiaremos os sistemas de comunicação e de difusão de ideias e notícias através de meios tecnologicamente actuais, disponíveis e acessíveis.

E: Tem conseguido algum apoio significativo de outras organizações ou do Duque de Bragança, chefe da Casa Real Portuguesa?

F: Sim. Temos tido apoio de muitos monárquicos a título individual. As organizações já existentes não foram consultadas e admitimos que possam não estar muito interessadas na nossa existência que pode contrariar o seu habitual modus operandi. O Senhor D. Duarte não se manifestou, tanto quanto sabemos, sobre a nossa recente existência. Seria para nós muito estimulante ter o seu apoio mas não condicionamos a nossa existência a pareceres positivos ou negativos sobre a nossa organização. Para nós o fundamental, como vem referido na nossa carta programática, é a restauração em Portugal da Instituição Real que se conseguirá com a implementação do Regime Monárquico abolido de modo violento em 5 de Outubro de 1910. Para tal tentaremos promover acções que tornem perceptível o sentir de grande número de portugueses que comungam dessas ideias tão presentes no imaginário nacional, pese embora a ideologia republicana e jacobina que prevalece desde 1910 nos media portugueses.

E: Pensam que o Partido Popular Monárquico e a designada Causa Real não têm prosseguido esses objectivos que enunciou?

F: Sim. O PPM tem-se guiado, na sua prática recente, por objectivos de interesses e de associação a outros partidos do espectro político, com vista a estar presente em centros de decisão e assegurar alguns cargos próximos dos poderes instituídos. Não temos conhecimento de que exerça ou queira exercer actividades que incluam o proselitismo das ideias monárquicas na sua praxis do dia a dia.
A Causa Real e as suas filiadas Reais Associações têm se manifestado sobretudo pela sua inércia e desorganização, depois de uma época áurea de actividade acontecida nos primeiros anos da década de noventa do século passado. Actualmente as Reais Associações estão em grande parte inactivas ou agónicas, com dissidências internas que as paralisam.
A Causa Real aproxima-se perigosamente do anátema com que os republicanos apodavam a extinta Causa Monárquica: “ uma Causa sem efeito”.
E: A que é devida essa situação existente, segundo referem, nas Reais Associações?

F: Pensamos que em grande parte se deve à falta de liberdade e de poder de decisão que se abateu sobre as Reais Associações, condicionadas na sua gestão ordinária por “orientações” vindas dos círculos elitistas e centralistas desfasados da realidade. Existiria uma clique que se supõe detentora da verdade organizativa que tem manietado e feito soçobrar as iniciativas que levaram muitos monárquicos a constituir as RA, depois da extinção por demérito, também organizativo, da defunta Causa Monárquica. As intenções desse grupo, serão provavelmente as melhores mas ao tolherem a liberdade de actuação das RA convidam ao seu actual estatuto de entidades abúlicas, incapazes do desenvolvimento de projectos mobilizadores.
Nos anos oitenta e noventa do século XX as Reais Associações foram entidades com uma vivência rejuvenescedora com numerosas iniciativas mobilizadoras de carácter político e social que actualmente se remetem a reuniões gastronómicas de escassa participação.

E: Os senhores fazem ou fizeram parte de Reais Associações?

F: Sim. A maior parte de nós faz ou fez parte das RA. Muitos fomos até fundadores ou contribuímos para a sua implementação. Não somos de forma nenhuma dissidentes. Não temos é particular interesse em fazer parte de organizações inoperantes quanto ao nosso objectivo final que é, como já foi referido, contribuir para a instauração em Portugal do regime monárquico.
Acrescenta-se que não será de todo incompatível fazer parte simultaneamente da Confluência Monárquica e de uma RA ou estar filiado no PPM ou noutro qualquer partido, excluindo obviamente, os de ideologia marxista-leninista e similares.

E: Tem-se falado ultimamente em situações que porão em causa a legitimidade hereditária de D. Duarte como pretendente ao trono de Portugal. Que pensam deste problema?

F: Para nós o importante, como já referimos, é a restauração da Monarquia. Consideramos no entanto que o Senhor D. Duarte é actualmente, o legítimo representante dos Reis de Portugal sendo, por isso, o Pretendente aceite pela grande maioria dos monárquicos portugueses. Sabemos que existem pretensões ridículas e descabidas em relação a essas funções que julgamos não terem qualquer tipo de nexo, sendo motivadas por razões materiais pouco confessáveis ou por vaidades espúrias. Para além da legitimidade inquestionável, o Senhor D. Duarte tem assumido ao longo dos anos posições de grande dignidade e destaque na sociedade nacional que lhe conferem uma enorme respeitabilidade aos olhos de quase todos os portugueses.

E: Que tipo de regime monárquico defendem para ser instaurado em Portugal?

F: Defendemos um regime democrático, de tipo constitucional, semelhante aqueles que vigoram em vários estados europeus, por sinal referenciados pelos mais elevados níveis de vida e bem-estar social.
A Carta Fundamental ou Constituição seria discutida e aprovada por Cortes Constituintes, formada pelos representantes eleitos do povo português.

E: Antes de terminar esta entrevista gostaria de lhes perguntar porque razões escolheram Vila Viçosa para o chamado Encontro Nacional da MCV no dia 1 de Dezembro de cada ano?

F: O dia 1 de Dezembro comemora o dia da Restauração da Independência em relação a Castela depois de sessenta anos de domínio filipino. D João IV, era na época o Duque de Bragança, ducado cuja sede era em Vila Viçosa. Nada mais natural do que realizar nessa esplendorosa Vila do Alentejo, o encontro anual dos monárquicos portugueses, lembrando nesse dia todos os antigos monarcas que fizeram e mantiveram a identidade política de Portugal. Subjaz a intenção de que em breve possa ser possível aclamar de novo a Instituição que foi, e é, o cimento da identidade nacional: a Instituição Real.
O Encontro Nacional servirá para mostrar a popularidade e a força do Ideário Monárquico e a adesão dos portugueses a esses princípios.


E-mail: kon.monark@gmail.com

www.confluenciamonarquica.blogspot.com

Para adesões ao MCM:

Envio de e-mail com indicação de nome, idade, profissão, residência (com indicação do concelho e freguesia).

1 comentário:

  1. Só hoje tive conhecimento da vossa existência. Será que de facto existem? Que diferença tem em relação a outras falhadas iniciativas que se propõem defender os ideais da Monarquia?
    Temos mais do mesmo?
    Miguel Absoluto.

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